terça-feira, 18 de setembro de 2012

Quem é o novo profissional do mercado financeiro?

Consultores e recrutadores apostam em um profissional mais fundamentalista, que conheça além das ações, a empresa e o setor da economia

O mercado de trabalho é mesmo curioso. Enquanto surgem novas profissões e as mais tradicionais continuam em alta, existem aquelas que são menos comentadas, até desconhecidas por uma parte da população, mas que demandam especificidades. Esse pode ser o caso do operador, analista de mercado financeiro.

 
No tempo do pregão viva-voz da Bovespa, finalizado em julho de 2009, os operadores compartilhavam de um ambiente de negociação presencial. Aquela cena com homens gesticulando, aos berros em diversos telefones, comprando e vendendo ações, deu lugar ao trabalho nas corretoras e as negociações eletrônicas feitas através de home-brokers.
Atualmente este profissional tem uma atuação mais focada em análise fundamentalista, que tem conhecimento de ações, do setor de atuação da empresa e de setores específicos da economia.

Há também o perfil mais técnico, que não deixa de conhecer os fundamentos, mas que fica na mesa, operando no dia a dia, se relaciona com o cliente e analisa a compra e a venda e prospecção de oportunidades de negócios.

Mercado estagnado

A gerente da divisão de mercado financeiro da Roberto Half, Ana Guimarães, ressalta que devido aos movimentos de fusões e aquisições o mercado financeiro está cada vez com um número menor de companhias, fator que pode ser positivo, uma vez que exige que este profissional "converse" mais e esteja mais próximo dos acontecimentos. 
Apesar disso, Frederico  Vani, diretor das Asap, consultoria de recrutamento e seleção de executivos, esclarece que houve um aumento na remuneração deste profissional no período pós-crise - a partir de 2010 - com a chegada de novas instituições financeiras no País. Segundo ele, agora existe ainda mais a necessidade de um incremento técnico para atuar neste mercado.
Para o especialista na área de mercado financeiro da Michael Page, Luciano Bernardi, hoje não há grande demanda por esse profissional. As corretoras e bancos, local de atuação deste profissional, buscam cada vez mais um profissional analítco, “com foco bastante fundamentalista, com conhecimento econômico setorial”.

Tomador de risco e especializado
Os profissionais normalmente são das áreas de administração de empresas, economia, matemática e engenharia, cursos mais ligados a números. No entanto, é bom destacar que existem cursos específicos que complementam a formação. ‘“O mercado exige especialização”, diz Bernardi da Michael Page.
Ana, da Robert Half, destaca que além da formação este profissional deve ser ágil, dinâmico, tomador de risco e focado nos resultados. “Ele deve vestir a camisa, ter gás e energia. É importante para o profissional acompanhar a inovação do mercado. Hoje o operador está mais perto do cliente e deve ter um perfil diferenciado”.
O diretor da Asap lembra que inglês fluente é fundamental para este profissional. Após a chegada de instituições estrangeiras no País, o operador deverá cada vez mais trabalhar com diferentes produtos financeiros, fazendo operações ao redor do mundo. “Cursos de aperfeiçoamento e atualização são essencias para se manter neste mercado, além de ser maduro, já que vai lidar com o dinheiro do outro".

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